Todo mês de novembro, Porto Franco para para falar de racismo, memória e cultura negra. O Movimento Consciência Negra e Democracia nasceu em 2022 e virou a maior ação antirracista do sul do Maranhão. Aqui a gente explica o que é, como ele começou e como você pode participar.
O que é o Movimento Consciência Negra e Democracia
O Movimento Consciência Negra e Democracia, realizado todo ano em Porto Franco, no Maranhão, nasceu em 2022 como uma resposta concreta a uma falta. Faltava espaço para conversar sobre racismo, para se formar e para valorizar a cultura negra na cidade.
Ele é coordenado pela CIATDAL, mas construído em rede, com instituições de ensino, coletivos culturais e o poder público. Em poucos anos virou referência regional na luta pela igualdade racial e na construção de uma educação antirracista.
A origem tem endereço. Os integrantes da companhia, em sua maioria negros, já levavam dança e teatro para as escolas em novembro. Foi conversando com professores do NEABI, o Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas do IFMA, que nasceu a ideia de criar algo maior, onde muita gente pudesse participar e falar de racismo de verdade.

Desde a primeira edição, o movimento não se limita a celebrar uma data. Oficinas de dança afro, debates sobre religiões de matriz africana, formação de professores e apresentações culturais marcaram a estreia em 2022 e definiram o que ele é até hoje, um espaço coletivo de resistência e de pertencimento.
Por que o 20 de novembro importa
O 20 de novembro é o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, e marca a morte de Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares, o maior quilombo da história do Brasil.
Desde a Lei 14.759, de dezembro de 2023, a data é feriado nacional em todo o país. Antes disso, era feriado apenas em alguns estados e municípios.
Mas feriado, sozinho, não muda realidade. É por isso que o movimento existe. Para transformar a data em formação, debate e ação concreta, e não em um dia de folga sem conteúdo.
A história do movimento, edição por edição
Cada ano teve um tema, e os temas contam a evolução da conversa na cidade.
Consciência Negra 2022
A primeira edição teve o tema Consciência Racial e Política do Povo Negro. Oficinas de hip hop, dança afro e estética negra se somaram a debates sobre religiões de matriz africana e à exibição do filme AmarElo, de Emicida. A presença do tambor da Mata Codoense e a roda de conversa com mestres da tradição mostraram que arte e memória coletiva seriam a essência do movimento.
Consciência Negra 2023
O tema Consciência Negra e Democracia, Identidade, Representatividade e Justiça Social ampliou a participação das escolas e fortaleceu as parcerias, incluindo a Uni-Afro Brasil. A exibição do filme A Mulher Rei, a formação de professores e as rodas de conversa sobre autodeclaração étnico-racial trouxeram reflexões profundas. O festival com estandes pedagógicos consolidou o evento como espaço de educação antirracista.
Consciência Negra 2024
A terceira edição trouxe o tema Igualdade Racial, a Importância das Leis Municipais no Combate ao Racismo. Foi um ano de debate político mais direto, com mesas redondas e apresentações de alunos da rede municipal. Ficou claro que o movimento não se restringe à cultura, ele também é ferramenta de mobilização e de incidência política.
Consciência Negra 2025
A quarta edição teve o tema Saúde Mental e Educação para as Relações Étnico-Raciais, Direito, Cidadania e Justiça Social, e trouxe para Porto Franco a pesquisadora Nilma Lino Gomes, uma das maiores referências do país no tema, para a conferência de abertura e a formação de professores. Veja como foi a edição 2025 em detalhes.

A formação de professores e a Lei 10.639
Esta é a frente que muda o jogo a longo prazo.
A Lei 10.639/03 tornou obrigatório o ensino de história e cultura afro-brasileira nas escolas brasileiras. Ela existe desde 2003. O problema nunca foi a lei, foi a formação. Muito professor quer ensinar esse conteúdo e nunca recebeu preparo para isso.
A formação de professores do movimento preenche exatamente esse buraco, com conteúdo, prática pedagógica e certificação. E o efeito não acaba quando o evento acaba, porque o professor formado leva aquilo para a sala de aula o ano inteiro.
Quem faz o movimento acontecer
O movimento é da CIATDAL, mas não é só da CIATDAL. Ele é sustentado por uma rede.
- NEABI, do IFMA Campus Avançado de Porto Franco. Parceiro de origem e base acadêmica das formações e dos debates.
- Uni-Afro Brasil e os grupos culturais do município. Quem ocupa a rua e mobiliza a comunidade.
- Escolas municipais e estaduais, professores e o IEMA. Abrem as portas para oficinas, cineclubes e rodas de conversa.
- Sociedade civil organizada. Ex-militantes do MST, lideranças comunitárias e outras frentes com história de luta.
- Poder público e fomento. Apoio da Prefeitura de Porto Franco e recursos da Política Nacional Aldir Blanc, do Ministério da Cultura.

Como participar do movimento
Participar não é só assistir. Existem portas de entrada diferentes.
Estudantes
Boa parte da programação acontece em parceria com escolas municipais, estaduais e o IFMA. É contato direto com educação antirracista e com a cultura negra, na prática.
Professores e educadores
A formação de professores é um dos pontos altos de cada edição, com práticas pedagógicas contra o racismo e conteúdo sobre saúde mental no ambiente escolar. A participação garante certificação.
Coletivos culturais e artistas
Grupos de dança, teatro, música e outras expressões podem compor a programação e as oficinas culturais.
Artesãos e empreendedores
A feira afro abre espaço para artesãos e empreendedores negros da região venderem e mostrarem o trabalho durante o encerramento.
Instituições e apoiadores
Empresas, órgãos públicos e entidades da sociedade civil podem entrar como parceiros e apoiadores, ampliando o impacto do movimento.
A comunidade em geral
A maior parte da programação é gratuita e aberta. Basta acompanhar a divulgação da CIATDAL para saber locais, horários e inscrições.

O que o movimento deixa em Porto Franco
Educação que continua depois do evento
Professores e estudantes ganham formação e experiência prática em educação antirracista. Isso volta para dentro da sala de aula, em novas metodologias e em uma visão mais crítica e inclusiva.
Valorização da cultura negra
Oficinas de dança afro, teatro, estética e música não são só apresentação. São resgate de memória e fortalecimento de autoestima, sobretudo para os jovens da periferia.
Renda para artistas e artesãos locais
A feira afro e a programação cultural geram mercado para profissionais de cultura da região. O movimento gera consciência e gera renda.
Porto Franco como referência regional
Ao reunir escolas, coletivos, gestores públicos e nomes nacionais da academia, a cidade se firma como polo de resistência e educação no sul do Maranhão.
Perguntas frequentes
O que é o Movimento Consciência Negra e Democracia?
É um movimento cultural realizado anualmente em Porto Franco, no Maranhão, desde 2022, coordenado pela CIATDAL. Reúne formação de professores, oficinas, cineclube, rodas de conversa, feira afro e apresentações culturais em torno do combate ao racismo e da valorização da cultura negra.
O movimento é gratuito?
A maior parte da programação é gratuita e aberta ao público. Algumas atividades, como a formação de professores, exigem inscrição prévia para garantir vaga e certificação.
Quem pode participar?
Qualquer pessoa. Estudantes, professores, artistas, coletivos, artesãos, instituições e a comunidade em geral. O movimento é aberto e construído coletivamente.
Onde o movimento acontece?
Em Porto Franco, no Maranhão, em escolas parceiras, espaços culturais e em praça pública, no encerramento.
Existe certificação para professores?
Sim. Os educadores inscritos e participantes da formação recebem certificação oficial.
Por que 20 de novembro é feriado nacional?
Porque é o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra. A Lei 14.759, de dezembro de 2023, tornou a data feriado nacional em todo o Brasil.
Participe do Movimento
Quer levar o movimento para a sua escola, participar das oficinas, expor na feira afro ou apoiar o projeto? A nossa equipe está pronta para conversar com você.





