Boi do Favela 2026, como foi a temporada e curiosidades do bumba meu boi de Porto Franco

Boi do Favela 2026, como foi a temporada e curiosidades do bumba meu boi de Porto Franco

Brincante do Boi do Favela com cocar de penas claras ergue o maracá durante apresentação noturna da temporada 2026, em Porto Franco (MA)

Índice

Foram 16 apresentações, 07 municípios, 02 estados e mais de 10 mil pessoas alcançadas. A temporada 2026 do Boi do Favela levou o bumba meu boi para lugares onde essa tradição quase não chegava, e provou que o folclore maranhense também pulsa no sul do estado.

O Boi do Favela é o bumba meu boi de Porto Franco, um projeto do Centro de Cultura CIATDAL. Ele nasceu para homenagear um mestre da cultura popular e virou muito mais do que isso. Virou um jeito de dizer que a periferia produz arte, que o povo negro produz cultura e que a tradição não precisa ficar parada no tempo para continuar sendo tradição.

Aqui a gente conta como foi a temporada 2026 e responde as perguntas que o público mais faz quando vê o boi de perto. Se a roupa pesa, como o figurino é feito, de onde vem essa história e por que o nosso boi soa diferente dos outros.

Brincante do Boi do Favela com cocar amarelo de plumas dança na arena durante a temporada 2026
A temporada 2026 do Boi do Favela levou o bumba meu boi a 07 municípios do Maranhão e do Tocantins.

A temporada 2026 do Boi do Favela em números

Essa foi uma temporada de estrada. O boi saiu de Porto Franco e cruzou a divisa do estado.

16apresentações na temporada
07municípios visitados
02estados, Maranhão e Tocantins
+10 milpessoas alcançadas
R$ 13 milem fomento pela Lei Aldir Blanc
01certificado de reconhecimento

Quem foi o mestre Favela, o homem que dá nome ao boi

Antes de ser um grupo, o Boi do Favela é uma homenagem.

Felipe Serrão Araújo nasceu em 02 de julho de 1935, na cidade de Pinheiros, no Maranhão, filho de Antônia Araújo e Paulo Serrão. Viveu muitos anos em São Luís, onde estudou em uma escola técnica e ganhou o apelido que carregaria pelo resto da vida, Favela. Aos 34 anos, chegou a Porto Franco no dia 18 de janeiro de 1970, em busca de novas oportunidades.

Trouxe a cultura maranhense na bagagem e se tornou presença marcante nas principais atividades culturais da cidade. Onde tinha festa popular, tinha o Favela. Mestre Favela faleceu em 07 de agosto de 2021, aos 86 anos, em decorrência de um câncer.

Quando ele partiu, a CIATDAL tomou uma decisão. Em vez de fazer uma homenagem que durasse um dia, criou uma que se repete todo ano. Nascia o Boi do Favela, o bumba meu boi de Porto Franco.

O boi do Boi do Favela, com manta vermelha e amarela, conduzido por brincante em apresentação
O boi, coração da brincadeira, no centro da roda.
Elenco completo do Boi do Favela reunido no palco ao fim de uma apresentação da temporada 2026
O elenco do Boi do Favela reunido no palco, ao fim de uma apresentação da temporada 2026.

O projeto tem um segundo objetivo, e ele é estratégico. O bumba meu boi é forte em São Luís e na região da capital, mas pouco presente no sul do Maranhão. Levar o boi para essa região é levar uma tradição maranhense para maranhenses que quase não tinham acesso a ela. Você pode conhecer a história completa do projeto na página do Boi do Favela.

Por onde o Boi passou nesta temporada

O boi atravessou a divisa. Foram 07 municípios, em 02 estados.

  • Porto Franco (MA)
  • Imperatriz (MA)
  • Campestre do Maranhão (MA)
  • Estreito (MA)
  • Tocantinópolis (TO)
  • Muricilândia (TO)
  • Palmeiras (TO)

Em cada cidade, a mesma cena. Gente que nunca tinha visto um bumba meu boi de perto parando para assistir, criança esticando a mão para tocar o boi e adulto lembrando de uma festa da própria infância.

Grupo do Boi do Favela reunido na rua antes da apresentação, com todos os figurinos e cocaresBrincantes do Boi do Favela desfilam pela rua ao entardecer durante a temporadaO boi e uma dançarina do Boi do Favela em apresentação ao ar livre durante o diaGrupo completo do Boi do Favela posado sob bandeirinhas juninas depois da apresentaçãoBrincantes do Boi do Favela reunidos na quadra de Tocantinópolis, no Tocantins, diante do públicoBrincantes do Boi do Favela posam na arena iluminada ao fim de uma apresentação de festa juninaIntegrantes do Boi do Favela com as camisetas do projeto posam no palco do arraialGrupo do Boi do Favela reunido com o boi durante apresentação à luz do dia em praça pública

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O que faz o Boi do Favela ser diferente de todos os outros

Existem centenas de grupos de bumba meu boi no Maranhão. O nosso tem duas marcas que não se repetem em nenhum outro.

01. A dança de rua entra na coreografia

A CIATDAL é uma companhia com forte presença da dança de rua, e isso não fica de fora quando o boi entra em cena. O processo coreográfico do Boi do Favela mistura o passo tradicional do boi com a linguagem urbana que os jovens do grupo já dominam. O resultado é um boi que respeita a tradição e ao mesmo tempo tem a cara de quem dança nele.

02. O nosso boi tem um narrador

Aqui está o maior diferencial. Na maioria dos bois, a história se conta pela dança e pelas toadas. No Boi do Favela existe um marcador, um narrador que conta o enredo em voz alta durante a apresentação.

Isso vem das quadrilhas juninas estilizadas, muito comuns na nossa região, e não do bumba meu boi tradicional. A escolha foi proposital. Com um narrador, os temas sociais que estão dentro do enredo ficam evidentes para quem assiste, em vez de passarem despercebidos.

Narrador do Boi do Favela ao microfone, com a camiseta do projeto, conduzindo a história da apresentação
O narrador conduz o enredo e é o que diferencia o Boi do Favela dos outros bois.

O sotaque de orquestra, o som que identifica o nosso boi

No bumba meu boi do Maranhão, cada grupo tem um sotaque. Sotaque aqui não é jeito de falar, é o estilo da brincadeira, definido principalmente pelos instrumentos e pelo ritmo.

São 05 sotaques reconhecidos, o de matraca, o de zabumba, o da baixada, o de costa de mão e o de orquestra.

O Boi do Favela dança no sotaque de orquestra, aquele que usa instrumentos de sopro como saxofone, trompete e clarinete, além do banjo e da percussão. O grupo já experimentou o sotaque de matraca em anos anteriores, mas foi na orquestra que se reconheceu. Há também uma conexão forte com o sotaque de zabumba.

Músicos da orquestra do Boi do Favela tocam instrumentos de sopro e percussão diante do palco
A orquestra do Boi do Favela, com sopros e percussão, é o que define o sotaque do grupo.

Curiosidades sobre o Boi do Favela que o público sempre pergunta

Toda apresentação termina do mesmo jeito. O público cerca os brincantes e faz as mesmas perguntas. A gente separou as principais.

A roupa pesa para dançar?

Pesa, e essa é a pergunta que mais se repete. As indumentárias do bumba meu boi são grandes, cobertas de bordado, miçanga e pluma, e os cocares são altos. Dançar com esse peso, no calor e por uma apresentação inteira, exige preparo físico. É por isso que o ensaio importa tanto quanto a festa.

Como as roupas do Boi do Favela são feitas?

Com a mão de quem sabe. As indumentárias do grupo são confeccionadas por um artesão de São Luís, berço do bumba meu boi maranhense.

E tem um detalhe que quase ninguém imagina. O Boi do Favela ainda não produz as próprias roupas, então parte do figurino é comprada de segunda mão de outros bois. Cada peça que entra na arena já brincou em outro lugar, com outra gente, e chega em Porto Franco para viver mais uma temporada.

Como é o ensaio do grupo?

É onde o boi acontece de verdade, longe da plateia.

Os ensaios são momentos de pura magia, uma alegria só. Todo novato entra com um pouquinho de medo de não conseguir dançar o boi, mas cada passo tem aquela ajuda do batalhão, então tudo dá certo no final.

Equipe do Boi do Favela

O grupo é formado por jovens de 14 a 25 anos e adultos até os 40, e é aberto à comunidade. Ninguém precisa chegar sabendo dançar boi.

De onde vem a história do bumba meu boi?

A história é antiga e vale conhecer, porque ela explica tudo o que acontece na arena.

O bumba meu boi conta o auto de Pai Francisco e Catarina. Grávida, Catarina deseja comer a língua do boi mais bonito e mais querido da fazenda. Para atender ao desejo dela, Pai Francisco mata o boi do patrão. Quando a morte é descoberta, começa a busca pelo culpado, e o boi acaba ressuscitado. A festa é a celebração desse boi que volta à vida.

Não é só uma historinha. É um auto popular sobre desejo, fome, castigo e ressurreição, protagonizado por um casal negro e pobre que enfrenta o poder do dono da terra e sobrevive. É por isso que essa brincadeira fala tão diretamente com o povo negro e periférico, que é justamente quem o Boi do Favela reúne.

O bumba meu boi é patrimônio reconhecido?

É, e no mais alto nível. O bumba meu boi foi registrado como Patrimônio Cultural do Brasil pelo IPHAN em 2011. Em dezembro de 2019, o Complexo Cultural do Bumba meu Boi do Maranhão foi reconhecido pela UNESCO como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.

Ou seja, quando o Boi do Favela entra na arena de Porto Franco ou de Tocantinópolis, ele não está apenas brincando. Está mantendo viva uma tradição que o mundo inteiro reconheceu como patrimônio.

O boi do Boi do Favela chega perto da grade e crianças e adultos acompanham a apresentação bem de perto
O boi vai até a grade e o público acompanha de pertinho, cena que se repete em toda apresentação.

Reveja a temporada 2026 em vídeo

A gente registrou tudo. Dá o play e veja o boi por dentro.

Muito além da dança, como o Boi do Favela transforma vidas

O público parou para assistir, em Tocantinópolis

A apresentação que emocionou Porto Franco

A temporada 2026 em imagens

Foram milhares de fotos. Essas são algumas das que melhor contam o que aconteceu.

Dois brincantes do Boi do Favela com figurino amarelo dançam juntos na arenaBrincante do Boi do Favela com grande cocar vermelho de plumas durante a apresentaçãoDançarina do Boi do Favela sorri com cocar de plumas amarelas no centro da arenaDançarina do Boi do Favela se apresenta diante da arquibancada cheia de crianças e famíliasBrincante do Boi do Favela com figurino amarelo e chapéu bordado ergue o braço em comemoraçãoCasal de brincantes do Boi do Favela dança com figurinos tradicionais coloridosBrincante do Boi do Favela sorri com chapéu bordado e braço erguido durante apresentação noturnaDançarina do Boi do Favela gira com cocar verde e vermelho durante a apresentaçãoBrincante do Boi do Favela com cocar vermelho dança sob as bandeirinhas do arraialDançarina do Boi do Favela em movimento com figurino claro e cocar de plumasBrincante do Boi do Favela com pintura corporal grita em cena durante a apresentaçãoDançarina do Boi do Favela sorri com cocar verde durante apresentação em arraialO boi dança cercado pelos brincantes do Boi do Favela durante a apresentação noturnaMúsicos da orquestra do Boi do Favela no palco com banjo, saxofone e trompeteBrincante do Boi do Favela sorri de perto, com figurino amarelo bordado e chapéuDançarina do Boi do Favela abre os braços e sorri com cocar vermelho durante a apresentação

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O reconhecimento que essa temporada trouxe

Cultura popular precisa de investimento para existir, e esta temporada teve.

O Boi do Favela recebeu 13 mil reais em fomento pelo edital da Política Nacional Aldir Blanc, a PNAB. Esse recurso é o que viabiliza o figurino, o transporte do grupo, a estrutura e o pagamento de quem trabalha para o boi acontecer.

O grupo também recebeu um certificado de reconhecimento pela apresentação no 50 BIS, em Imperatriz.

E vale lembrar o caminho até aqui. Entre os momentos mais marcantes da história do projeto estão a apresentação para o Governador do Maranhão, Carlos Brandão, a participação no 6º Seminário Internacional dos Comuns e a apresentação no São João do Governo do Maranhão, em 2023, em Imperatriz.

Senhora idosa dança e sorri ao lado de um brincante do Boi do Favela no meio do público
O encontro com o público é parte da apresentação, não o fim dela.

O Boi do Favela busca evidenciar a força e a criatividade inovadora do povo negro e periférico, que se reinventa através da arte e molda sua própria cultura.

CIATDAL

Perguntas frequentes sobre o Boi do Favela

O que é o Boi do Favela?

É o bumba meu boi de Porto Franco, no Maranhão, um projeto do Centro de Cultura CIATDAL criado em homenagem ao mestre Felipe Serrão, o mestre Favela. O grupo une a tradição do bumba meu boi à linguagem da dança de rua.

Quem foi o mestre Favela?

Felipe Serrão Araújo, conhecido como mestre Favela, foi um mestre da cultura popular de Porto Franco. Nasceu em 02 de julho de 1935, em Pinheiros, no Maranhão, viveu em São Luís e chegou a Porto Franco em 18 de janeiro de 1970. Era grande apreciador da cultura maranhense e presença marcante nas atividades culturais da cidade. Faleceu em 07 de agosto de 2021, aos 86 anos.

Qual é o sotaque do Boi do Favela?

O grupo dança no sotaque de orquestra, que usa instrumentos de sopro como saxofone e trompete, além de banjo e percussão. Também tem conexão forte com o sotaque de zabumba.

Como participar do Boi do Favela?

O projeto é aberto à comunidade e reúne jovens de 14 a 25 anos e adultos até os 40. Não é preciso saber dançar bumba meu boi para entrar. Fale com a nossa equipe pelo WhatsApp e a gente explica como funciona.

Quantas apresentações o Boi do Favela fez em 2026?

Foram 16 apresentações, em 07 municípios do Maranhão e do Tocantins, alcançando mais de 10 mil pessoas.

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Quer dançar no boi, apoiar o projeto ou levar o Boi do Favela para a sua cidade? A nossa equipe está pronta para conversar com você.

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Foto de CIATDAL | Companhia de Teatro e Dança Arte Livre

CIATDAL | Companhia de Teatro e Dança Arte Livre

Transformando sonhos em arte desde 2004, a CIATDAL é uma organização cultural que atua com dança, teatro, leitura e ações de impacto social em comunidades da região Tocantina.

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